Sob inúmeras formas e intensidades, a violência contra a mulher faz parte do cotidiano do Brasil, perpetuando nos espaços públicos e privados como uma das piores estatísticas do mundo. Diante dos altíssimos índices, um dos caminhos mais favoráveis ao combate à violência de gênero é a conscientização de crianças e jovens, capazes de construir um futuro com mais esperança e igualdade.

 Violência contra a mulher
Vitor Hugo da Silva Isaac e professora Ana Paula com a redação vencedora do concurso sobre o combate a violência contra a mulher – Foto: EEB Professora Tânia Mara/ Divulgação/Educa SC

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Visando colocar em pauta a luta diária das vítimas, a Prefeitura de Biguaçu, cidade localizada na Grande Florianópolis, criou um concurso de redação. Nele, estudantes de todas as escolas do município tiveram o desafio de falar sobre o tema com consciência e empatia.

Para Ana Paula Schmitt Santiago, professora da Escola de Educação Básica (EEB) Professora Tânia Mara, o assunto que já era considerado importante no debate dentro de sala de aula, transformou-se em uma oportunidade para incentivar seus alunos a irem mais longe.

É uma maneira de exercerem a cidadania e fazerem parte dos espaços que vivem. Busco trabalhar a importância de colocarem suas vozes na sociedade e disseminarem o conhecimento que adquirem, compartilham e trocam na escola. Participar de momentos assim fortalece ainda mais os laços entre escola, comunidade e sociedade”, expressa.

Realidade dentro de casa

Com a pandemia, todos os aspectos da vida se tornaram privados. A convivência, que em muitos casos já era conflituosa, tornou-se permanente e com ela o número de vítimas de violência de gênero aumentou de forma exponencial, encontrando nos assassinatos a sua expressão mais grave.

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Porém, o espectro da violência não abarca somente a morte, fazendo com que a realidade de agressividade entre na vida das crianças e jovens que convivem com os agressores. Para Ana Paula, falar sobre o tema nas escolas é de extrema necessidade – tanto pela conscientização, quanto para a segurança do aluno.

Nossos alunos precisam ser encorajados a falarem, a denunciarem, a procurarem ajuda, a dizerem ‘não’. Precisamos fortalecê-los com conhecimento e engajamento para que sejam os agentes transformadores dessa sociedade”, diz.

Estudando para mudar

Vitor Hugo da Silva Isaac sempre foi aquele estudante que participava de tudo, com muita dedicação. Quando viu a oportunidade de participar de seu primeiro concurso de redação, o garoto não pensou duas vezes. Entrou de cabeça no estudo do tema e desenvolveu um olhar sobre a sociedade que lhe garantiu o prêmio.

“ Dentro das escolas, formam-se cidadãos para o futuro. A partir disso, o concurso trouxe lições que eu vou levar para a minha vida e de meus colegas, para que todos tenham voz, principalmente as mulheres. Pensar e debater sobre isso influencia as meninas a terem voz na sociedade e a garantir seus direitos em um mundo machista”, conta o aluno que ficou em primeiro lugar na categoria “Fundamental: 8° e 9°ano”.

Sempre acreditando no potencial de seus alunos, a professora Ana Paula teve um papel essencial na conquista de Vitor e de seu colega Kalvin Henrique Veiga, que também ficou entre os melhores do concurso.

Apoio nas conquistas

violência contra a mulher
Ana Paula junto do segundo ganhador do concurso, Kalvin – Foto: EEB Professora Tânia Mara/ Divulgação/ Educa SC

Além de incentivá-los na busca por contextualização, exemplos bem próximos da realidade, referências, estudos e propostas de ações muito consistentes ela doou seu tempo e dedicação para ampará-los da melhor forma que pode. “Carinho” foi a palavra que Vitor utilizou para descrever a atuação da professora em seu ofício.

Kalvin nunca imaginou que participaria de um concurso de redação municipal e, muito menos, que ficaria em segundo lugar. Para ele, além de ter se tornado uma das experiências mais legais de sua vida, descobriu um grande interesse pela história de luta das mulheres.

Todos esses esforços dentro e fora da escola contribuem para a desconstrução de um imaginário que culpabiliza a vítima pela própria morte e agressão, agredindo sua memória. Conscientizar as pessoas desde o início de sua formação comunica que qualquer tipo de violência é inaceitável e precisa ser denunciado.

Eu acredito muito no poder da educação. Concursos como esse fazem possível levar a voz do jovem para um local de destaque para que juntos possamos transformar a sociedade em relação a temas importantes como esse. O apoio da escola é essencial para que a gente conquiste o nosso local na sociedade como agentes ativos e transformadores”, conclui Vitor.