É possível mudar a sociedade por meio do cinema? Para além do sentido de entretenimento, os filmes possuem um papel dentro da vida e do cotidiano das pessoas, seja na perpetuação de padrões ou na construção de memórias coletivas. No mês da diversidade, produções que valorizam a cultura afro-brasileira e evidenciam a complexa realidade do racismo estrutural no país chegam como um alicerce para o debate.

FILMES AFRO-BRASILEIRA
Filmes nacionais são uma ótima fonte de estudo sobre a influênca da cultura afro-brasileira – Foto: iStock/ Divulgação/Educa SC

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No Brasil, mais de 50% da população se identifica como afrodescendente (preto e pardo). No entanto, mesmo com os índices revelando a profunda identidade negra do país, a representatividade e o protagonismo negro em filmes, séries e novelas é quase nulo.

Aliado a este fato, está a retratação dos estereótipos de violência, criminalidade e pobreza, que contribuem ainda mais para a conservação do racismo estrutural que assola a sociedade brasileira desde o século 16, quando os primeiros escravizados chegaram ao território nacional.

Representação assertiva

É importante ressaltar que também existe uma problemática em atribuir à população afro-brasileira apenas uma representação na televisão acerca de temas antirracistas.

Quando representados, os ambientes familiares e profissionais têm uma predominância branca, o que também contribui para o imaginário coletivo quanto à segregação de pessoas pretas em certos espaços de convivência.

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Felizmente, sempre existiram diversos cineastas, roteiristas, atores e atrizes que escolheram mostrar a sua real história: resistir por meio da arte, expressando a rica, diversa, complexa e instigante trajetória brasileira de luta pelo direito à vida e empoderamento de pessoas historicamente inviabilizadas.

Confira agora oito títulos de produções nacionais que você precisa assistir para valorizar e compreender mais a fundo a cultura, história e realidade da população afrodescendente no Brasil.

1. AmarElo – É Tudo Pra Ontem

O rapper, ativista e escritor Emicida relembra e celebra o legado da cultura negra em sua vida e na história do país. Tendo como base o conserto que faria no Theatro Municipal de São Paulo, problematiza diversas vivências, desigualdades e contradições.

É uma produção linda, sensível e necessária. O documentário é quase como um diário do cantor, mostrando a sua trajetória de auto aceitação e ativismo em prol do empoderamento de pessoas e da cultura preta.

2. Kbela

O curta-metragem realizado por Yasmin Thayná é um retrato poético, sincero e sensível sobre o papel do cabelo das mulheres negras. Traz reflexões importantes sobre o racismo sofrido diariamente, as tentativas de aceitação por meio do alisamento e outros tratamentos químicos usados há décadas por mulheres negras.

Assim como mostra a força contida na aceitação dos fios crespos, a importância do amor próprio e sua conexão com a ancestralidade africana. Ainda percorre entre histórias de transição capilar e a resistência pelo direito de terem sua beleza natural.

3. Branco sai, preto fica

O filme mostra a rotina de dois homens negros que tiveram suas vidas mudadas para sempre depois de um tiroteio em um baile funk na periferia de Brasília. Um deles perde a perna; outro fica paraplégico.

Com elementos futuristas, o longa apresenta na narrativa de um homem que vem do futuro para investigar o evento e a responsabilidade da sociedade e do Estado no acontecimento.

4) A negação do Brasil

O documentário problematiza a participação dos negros nas famosas telenovelas brasileiras. Com depoimentos de atrizes e atores, temas como o predomínio branco e a representação negativa de negros são debatidos. Apesar de o documentário ser de 2001, a realidade mostrada ainda se aplica ao nosso cotidiano.

5. Ó paí, ó

Protagonizado por Lázaro Ramos, o longa retrata a vida de pessoas que moram em um cortiço no Pelourinho durante o período de Carnaval. Apesar de ter vários momentos engraçados e de sátira, mostra a realidade de conflitos raciais e violência contra jovens negros em Salvador.

6. Vista a minha pele

O filme propõe uma reflexão sobre como seria o mundo se os papéis raciais da sociedade fossem trocados. A empregada da família negra rica é branca, os padrões de beleza são pautados na beleza negra. Neste contexto, mostra a vida de uma menina branca tentando se encaixar em uma escola predominantemente negra.

7. Que horas ela volta

O longa retrata a rotina de desigualdade e racismo presente no cotidiano das empregadas domésticas no Brasil. Estrelado por Regina Casé, mostra a história de sua personagem indo para a cidade grande buscar melhores condições de vida, mas cruza com o racismo velado por seus patrões.

8. Cidade de Deus

Um dos filmes nacionais mais famosos, conta a história da comunidade carioca Cidade de Deus, que vira um dos locais mais perigosos do Rio de Janeiro.

Por meio dos moradores Buscapé e Zé Pequeno, a trama retrata a realidade da violência, desigualdade social e racial e crescimento do tráfico de drogas na Cidade de Deus. Além da busca dos personagens por normalidade e direitos iguais.

Para ir além

Jeferson De é um cineasta, roteirista e diretor brasileiro que possui uma trajetória de carreira totalmente ligada à valorização, conscientização e empoderamento da cultura negra. Com títulos como Doutor Gama, Bróder, Jonas Só Mais Um, Narciso Rap, Carolina, entre outros, Jeferson conquistou um espaço de renome e respeito.

Mês da Diversidade Cultural

Durante todo este mês de novembro, o Educa SC apresenta uma série de conteúdos no canal e no portal para falar sobre a Diversidade Cultural e importância de discussão sobre o assunto nas escolas catarinenses.