O Dia da Consciência Negra, em 20 de novembro, relembra a data da morte de Zumbi – líder do Quilombo dos Palmares, um dos maiores do Brasil – e celebra as conquistas do movimento negro na luta contra o racismo e a desigualdade racial. No entanto, abordar o assunto nas escolas não só no mês de novembro é de extrema importância no combate ao preconceito étnico-racial que está estruturado na sociedade brasileira.

Crianças reunidas na escola no mês da consciência negra
Debate sobre Consciência Negra deve ser abordado durante todo o ano letivo, não apenas no mês de novembro – Foto: iStock/Divulgação/Educa SC

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A educação é o melhor caminho para acabar de vez com o preconceito. Por isso, falar sobre a cultura e a história da população afro-brasileira ao longo do ano letivo é um passo em direção a uma sociedade igualitária e livre de discriminação. Confira quatro formas de abordar a Consciência Negra nas escolas.

1. Promover rodas de conversa

O diálogo é importante para a troca de ideias. Nesse sentido, promover palestras e rodas de conversa na escola sobre racismo é uma forma saudável de estimular o debate.

No entanto, é imprescindível que os pais sejam convidados a participar desse momento reflexivo, pois o racismo está estruturado na sociedade brasileira e, muitas vezes, reproduzimos falas e comportamentos preconceituosos sem nos darmos conta.

As crianças e adolescentes são muito influenciados pelos adultos, por isso é indispensável que os pais não fiquem de fora desse debate, pois eles podem, sem perceber, repassar alguns preconceitos aos filhos.

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Reconhecer que a sociedade está passando por transformações constantemente e que algumas condutas que eram aceitas no passado precisam ser abolidas é o primeiro passo para mudar os próprios hábitos e se tornar uma influência positiva, principalmente para as crianças que absorvem tudo que acontece ao seu redor de forma mais rápida.

Esse tipo de reflexão só é possível através da comunicação, da troca de ideias e compartilhamento de informações. É papel da escola desconstruir preconceitos e, dessa forma, promover a discutir o racismo com a comunidade escolar é benéfico para toda a sociedade que só tem a ganhar com isso.

2. Explorar a cultura afro-brasileira

Desde 9 de janeiro de 2003, quando a Lei nº 10.639 foi sancionada no Brasil, o ensino de história e cultura afro-brasileira dentro das disciplinas que já fazem parte do currículo escolar é obrigatório.

No entanto, reconhecer que a história do povo negro no Brasil vai muito além da escravidão e cada vez mais necessário. A herança cultural trazida do continente africano é riquíssima e só engrandece a cultura brasileira.

Uma dica valiosa para os educadores é ampliar o foco para outros aspectos da cultura e da história afro-brasileira. A gastronomia, as músicas, as festas, as danças e as religiões de matriz africana são elementos da cultura afro-brasileira que podem ser explorados em feiras e projetos pedagógicos nas escolas.

3. Incentivar a autoaceitação

Na década de 1960, surgiu nos Estados Unidos da América o movimento cultural chamado Black is Beautiful, em português “Negro é Lindo”. O objetivo era eliminar a ideia presente na sociedade de que as características naturais do povo negro, como a cor da pele, os traços faciais e o cabelo, são atributos indesejados e feios.

Exaltar a beleza dessas características na escola é fundamental para incentivar a autoaceitação e desestimular o preconceito e a discriminação racial no ambiente escolar. A ação pode ser benéfica para os estudantes de todas as idades, principalmente para as crianças negras que são afetadas pelo racismo desde cedo.

4. Buscar representatividade

Trazer o diálogo para a comunidade escolar é muito importante, mas garantir a representatividade dentro da conversa é indispensável. Por isso, ao falar sobre Consciência Negra é interessante buscar personalidades que possuam lugar de fala dentro do tema.

Na literatura há diversos exemplos de autores e autoras negras que foram e que são muito importantes para o país como Machado de Assis, Maria Firmina dos Reis, Cruz e Souza, Carolina Maria de Jesus, Conceição Evaristo, entre outros.

Na música, nomes como Pixinguinha, Bezerra da Silva, Gilberto Gil, Elza Soares, Leci Brandão, Emicida, Milton Nascimento, entre outros, são artistas de sucesso, representantes da cultura brasileira.

Explorar esses nomes e personalidades em sala de aula é essencial para reforçar a identidade cultural e artística do povo negro e pode ser uma influência positiva para os estudantes.

Mês da Diversidade Cultural

Durante todo este mês de novembro, o Educa SC apresenta uma série de conteúdos no canal e no portal para falar sobre a Diversidade Cultural e importância de discussão sobre o assunto nas escolas catarinenses.