Ela trocou o ballet pelas rodinhas e agora vive um sonho. No dia 20 de novembro, Giovana Gabriela Roeder, 17, aluna da segunda série do Ensino Médio na Escola de Educação Básica (EEB) Professor Rudolfo Meyer, de Joinville, no Norte do Estado, conquistou o primeiro lugar na categoria feminina na Taça Santa Catarina – Skate Street 2021.

Estudante Giovana Gabriela Roeder, segurando skate e taça do campeonato estadual de skate
Giovana Gabriela Roeder venceu em primeiro lugar a Taça Santa Catarina na modalidade street – Foto: Acervo pessoal/Divulgação/Educa SC

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O torneio realizado pela Federação Catarinense de Skate (FCSK) ocorreu no Skate Park Pedro “Tião” Henrique Laurentino, de Balneário Camboriú, no Litoral Norte do Estado. O evento de caráter classificatório garante vaga para o Campeonato Brasileiro de Skate 2021. Além do troféu e da medalha, a estudante ganhou roupas, shapes e outras peças de skate como parte da premiação.

Levar o título de campeã catarinense para casa era um sonho da adolescente. “Foi uma sensação incrível e inesperada, no momento em que me chamaram não estava acreditando, foi uma emoção muito grande, minha família ficou extremamente feliz e emocionada” relembra Giovana.

De acordo com a jovem, a paixão pelo esporte radical começou há cinco anos, quando o pai presenteou o irmão com um skate. “Meu pai andava de skate e deu um para o meu irmão, comecei a acompanhar eles e gostei, foi aí que pedi um também e comecei a me interessar”, conta.

Giovana Gabriela e o pai, Saulo Fernandes da Silva Haring, no campeonato estadual de skate
Giovana Gabriela e o pai Saulo Fernandes – Foto: Acervo pessoal/Divulgação/Educa SC

Na época, quando a filha pediu um skate, Saulo Fernandes da Silva Haring pensou que a ideia de praticar o esporte era apenas momentânea. Hoje, ele acompanha Giovana nos treinos e competições e comemora as conquistas da filha. “Eu fiquei bem emocionado, muito feliz por ela, agora o objetivo para o ano que vem é treinar, focar no street e eu tenho certeza que ela tem potencial para ir muito mais além” afirma.

Seguir carreira nos esportes não é tão simples quanto parece, por isso o apoio da família e dos amigos é fundamental. Para os treinos, Giovana conta com o apoio e a experiência do pai. Por conta de uma lesão na coluna, Saulo não pratica mais o esporte, porém repassa seus conhecimentos para a filha.

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“Eu não posso andar, mas dou as dicas para ela sobre posição de pé, questão de velocidade. Tudo o que eu queria fazer em cima do skate eu assistia bastante vídeos, reparava nas posições e nas pessoas andando e tentava fazer igual, é assim que eu passo para ela”, conta.

Para se preparar para os campeonatos, Giovana treina cerca de duas a três horas nas pistas do Skate Park do Parque Cidade, localizado no bairro Guanabara, em Joinville. A jovem é sempre acompanhada pelos pais ou amigos, já que só pode praticar as manobras à noite, pois durante o dia a atleta se dedica aos estudos e ao estágio na Coordenadoria Regional de Educação do município.

Protagonismo feminino nos esportes radicais

Skatista Giovana Gabriela fazendo manobras em Skate Park de Balneário Camboriú
Skatista Giovana Gabriela Roeder fazendo manobras no campeonato estadual de skate em Balneário Camboriú – Foto: Acervo pessoal/Divulgação/Educa SC

Nos últimos anos vem aumentando o número de mulheres nos esportes radicais. Na Olimpíada de Tóquio 2021, o protagonismo feminino no skate conquistou a torcida e trouxe uma medalha de prata para o Brasil com a vitória em segundo lugar da atleta maranhense, Rayssa Leal.

Considerando que há pouco tempo as mulheres eram excluídas destes espaços, vistos como lugares reservados apenas aos homens, a perspectiva é boa, no entanto, ainda é necessário muito incentivo.

Segundo Giovana Gabriela Roeder, o skate ainda é um esporte muito marginalizado. “As mulheres no skate eram muito desvalorizadas, tem muitos campeonatos que não tem categoria feminina, mas nos dias de hoje as mulheres estão abrindo essas portas” destaca.

Para a skatista, fazer parte desse movimento de mulheres que estão ocupando seu espaço nos esportes radicais e provando que lugar de mulher é onde ela quiser, é muito gratificante. “É incrível saber que estou fazendo parte disso tudo, saber que tem outras mulheres e meninas conquistando tudo isso comigo também me deixa extremamente feliz” comemora.

A estudante que deixou o ballet para seguir o seu coração e se dedicar ao esporte que ama, conta que no início a mudança foi difícil. “Não desistam, sei que às vezes não é fácil não ter um apoio, mas se é seu sonho não desista” aconselha Giovana. O sonho da adolescente agora é crescer dentro do esporte e chegar às Olimpíadas de 2024.