Há uma distância muito próxima com a capital de Santa Catarina, o município de São José é o lar da primeira escola Lixo Zero do Brasil. A EEB Aldo Câmara da Silva conseguiu o título com muito empenho, dedicação e amor pela causa que, agora, passa a integrar as telinhas de todo o país por meio de um documentário.

Lixo Zero
A escolafoi até Portugal para apresentar sua proposta de Lixo Zero – Foto: EEB Aldo Câmara da Silva /Divulgação/Educa SC

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A história de inspiração da Instituição teve início a partir da ação de uma professora, nas aulas de Língua Portuguesa. Fabiana Bina nunca imaginou que a sugestão de um tema para a produção de artigos de opinião mudaria não só a sua vida, mas a de toda comunidade escolar.

Quando os estudantes ouviram o tema “ Os malefícios do uso de sacolas plásticas” mergulharam de cabeça no conteúdo, instigados por saberem mais sobre os impactos que seus passos deixam na Terra.

Extasiada com a surpreendente motivação de seus alunos, a professora resolveu propor um seminário interativo em que eles sugerissem mudanças dentro da escola para diminuir os efeitos prejudiciais para o meio ambiente.

O começo de uma trajetória inspiradora

Ainda em 2019, o presidente do Instituto Lixo Zero foi à escola e lançou o desafio de reduzir em 90% todos os resíduos que eram destinados a aterros sanitários. A partir desse ponto, todas as ações futuras contribuíram para o sucesso da iniciativa de tornar a EEB Aldo Câmara da Silva a primeira unidade Lixo Zero do país.

O lixo é considerado um dos maiores problemas ambientais dos últimos tempos. O Brasil, apesar de possuir a Política Nacional de Resíduos Sólidos, recicla apenas 2,1% do total de resíduos coletados. Apesar de Florianópolis ser a capital que mais recicla no país, a comunidade escolar decidiu que o seu papel no mundo deveria ser ativo em prol do bem comum.

Segundo Fabiana, toda a metodologia criada na escola foi feita através de seus alunos. Os estudantes tiveram que convencer e conscientizar todas as pessoas que frequentavam a Instituição, desde servidores da limpeza até professores. Para Maria Clara, que estava no sétimo ano na época, foi muito desafiador embarcar na transformação completa de sua escola e, consequentemente, levar essas mudanças para casa.

Todo o plano de ensino da escola gira em torno do projeto, mostrando que a educação ambiental multidisciplinar é possível e necessária. As ações pedagógicas são planejadas por meio das palavras que norteiam o calendário global do Instituto Lixo Zero.

Ultrapassando fronteiras

lixo zero
Escola ganhou vários prêmios e reconhecimentos na sua história de Lixo Zero – Foto: EEB Aldo Câmara da Silva /Divulgação/Educa SC

Além dos impactos dentro do ambiente escolar, a escola recebeu reconhecimento nacional e internacional. Em 2019, ganhou o prêmio Lixo Zero que avalia as boas práticas no país, na categoria “Organização escolar”. Já em outubro do mesmo ano, Fabiana e mais dois alunos cruzaram o oceano para apresentar seu projeto em Portugal.

Essa trajetória linda de transformação foi inspiração para um novo projeto: o documentário “A Revolução Começa Aqui”. Assim como a atividade anterior, toda a construção do roteiro e da filmagem foi feita pelos alunos da escola, mostrando mais uma vez o quanto a unidade instiga o protagonismo social e a autonomia de quem a frequenta.

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“Os alunos da comissão Lixo Zero participaram desde o planejamento, criação do roteiro e gravações. A equipe da Geo Filmes foi algumas vezes até a escola para explicar um pouquinho deste universo mágico que é o cinema. Um grupo produziu o roteiro, outro organizou o cronograma de entrevistas e todos participaram das gravações”, conta Fabiana.

Aprendendo a fazer cinema

A produção cinematográfica passa por todas as transformações físicas, pedagógicas e individuais que o Lixo Zero promoveu na escola, sobretudo como a iniciativa desenvolveu um senso de pertencimento dos alunos com o espaço educativo. O lançamento foi no dia 14 de dezembro, no teatro da Arena Multiuso de São José. O trailer está disponível no YouTube.

Para a professora, os dois projetos evidenciam que se pode construir uma educação pública de qualidade, com atividades que respeitam a individualidade de cada um, privilegiando a pesquisa, a experiência, o senso crítico, o trabalho em grupo e a resolução de problemas.

“Ver meus alunos – muitos com ansiedade, problemas familiares e depressão – criando, vindo no contraturno escolar, fazendo reuniões à noite, dando seu melhor e vivendo essa experiência dentro da escola é a melhor motivação que um professor pode ter. A missão de formar cidadãos críticos e conscientes do seu papel na sociedade está sendo cumprida”, conclui Fabiana.