Em novembro é comemorado no Brasil o Dia Nacional da Consciência Negra. A data é um momento nacional de reflexão para lembrar a luta da população negra por uma sociedade igualitária, livre do racismo e de toda forma de opressão.

Mulher negra em uma biblioteca lendo livros de escritoras negras da literatura brasileira no mês da consciência negra
Escritoras negras denunciam o racismo estrutural presente na sociedade brasileira através da literatura – Foto: iStock/Divulgação/Educa SC

O dia escolhido para celebrar essa data, 20 de novembro, é atribuído à morte de Zumbi dos Palmares, em 1695. Líder do Quilombo dos Palmares, um dos maiores quilombos da história, Zumbi foi um dos maiores líderes negros do Brasil e lutou pela libertação do povo do sistema escravagista.

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No mês da Consciência Negra, confira cinco escritoras negras da literatura brasileira para entender a luta do povo negro pela igualdade e o fim da opressão racial no Brasil:

1. Maria Firmina dos Reis

Maria Firmina dos Reis, nascida no Maranhão em 1822, foi considerada a primeira romancista negra do Brasil. Sua obra Úrsula, publicada em 1859 sobre o romance entre a protagonista Úrsula e o bacharel Tancredo, denuncia as injustiças e opressões contra a população negra em uma sociedade escravagista.

O livro foi considerado precursor da temática abolicionista na literatura brasileira. A autora também escreveu contos, crônicas e poemas que foram publicados em diversos locais.

Na coletânea Cantos à beira-mar (1871), que reúne todos os poemas da autora, Maria Firmina expressa todo o seu sentimento de tristeza e insatisfação diante de uma sociedade escravagista e patriarcal.

2. Carolina Maria de Jesus

Considerada uma das escritoras mais importantes do país, Carolina Maria de Jesus viveu a maior parte de sua vida na favela do Canindé, na zona Norte de São Paulo. Apesar de ter frequentado a escola somente até o segundo ano, a autora que sustentava a si mesma e aos três filhos como catadora de papéis sonhava em se tornar escritora e morar em uma casa de alvenaria.

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Em 1958, com a ajuda do jornalista Audálio Dantas, teve seu diário publicado sob o nome Quarto de Despejo. Dantas fazia um trabalho na favela quando ouviu falar no livro que Carolina estava escrevendo.

Em 1958, o jornalista Audálio Dantas estava fazendo um trabalho na favela quando ouviu falar sobre um livro que uma das moradoras da comunidade estava escrevendo. Com a ajuda do jornalista, em 1960, Carolina Maria de Jesus teve seu diário publicado sob o nome Quarto de Despejo.

O livro é um forte relato sobre o dia a dia nas comunidades pobres de São Paulo. Em 173 páginas, Carolina Maria de Jesus narra a dor da fome e o sofrimento dos favelados. A obra fez muito sucesso e foi traduzida para 14 idiomas. A vida e a obra da autora hoje são objeto de estudos no Brasil e no exterior.

3. Conceição Evaristo

Conceição Evaristo é uma escritora romancista, poeta e contista de Belo Horizonte. Graduada em Letras pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), ela também é pesquisadora na área de literatura comparada e trabalhou como professora na rede pública fluminense até se aposentar em 2006.

Suas obras misturam ficção e realidade para retratar a desigualdade racial e as opressões raciais e de gênero enraizadas na sociedade brasileira. Suas personagens – quase sempre femininas – denunciam a situação de vulnerabilidade das mulheres negras, oprimidas pelo racismo e machismo da sociedade.

4. Djamila Ribeiro

Djamila Ribeiro é uma filósofa, ativista, escritora e acadêmica brasileira. Pesquisadora e mestra em Filosofia Política pela Universidade de São Paulo, Djamila tornou-se conhecida por seu ativismo na internet.

No ano de 2020, seu livro Pequeno Manual Antirracista apareceu na lista de mais vendidos da Amazon e recebeu o Prêmio Jabuti, principal prêmio literário brasileiro, na categoria de melhor livro na área de Ciências Humanas.

Mês da Diversidade Cultural

Durante todo este mês de novembro, o Educa SC apresenta uma série de conteúdos no canal e no portal para falar sobre a Diversidade Cultural e importância de discussão sobre o assunto nas escolas catarinenses.