Quando foi efetivada, a primeira experiência de Áurea Lígia Tambosi Mannrich com educação do campo deixou a professora preocupada. Formada em Língua Inglesa e Portuguesa, a educadora precisou se reinventar para se adaptar à nova grade de aulas. No entanto, apesar do frio na barriga, a adaptação foi um sucesso.

Professora Áurea Lígia Tambosi Mannrich, em sala de aula, com os alunos dos Anos Finais do Ensino Fundamental da EEF Dr. Waldomiro Colautti
Participar da vida dos alunos é o maior orgulho da professora de Educação do Campo da EEF Dr. Waldomiro Colautti, Áurea Lígia Tambosi Mannrich – Foto: Acervo pessoal/Divulgação/Educa SC

Neste Dia do Professor, conheça o trabalho de Áurea Lígia Tambosi Mannrich com os alunos dos Anos Finais do Ensino Fundamental da Escola de Ensino Fundamental (EEF) Dr. Waldomiro Colautti, de Rio do Campo, no Alto Vale do Itajaí.

Filha de agricultores aposentados, Áurea Lígia Tambosi Mannrich, natural de Rio do Campo, município de 6.185 habitantes localizado no Alto Vale do Itajaí, conta que não teve muito contato com a agricultura quando mais jovem. No entanto, o destino fez com que a profissional que atua na área da educação há 19 anos percebesse a importância de cultivar o próprio alimento.

“Pude vivenciar a forma que meus pais se dedicavam para sobreviver da terra que possuíam. Na época tudo era mais difícil, por isso nosso papel como educador do campo é resgatar a importância de consumo de alimentos orgânicos”, ressalta Áurea Lígia.

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A trajetória como educadora teve início após a formatura do Ensino Médio, quando mudou-se para Joinville, no Norte de Santa Catarina, para estudar Inglês. De volta à cidade natal, a professora ingressou no curso de Letras Inglês com habilitação em Língua Portuguesa. Por dominar o idioma, Áurea Lígia logo começou a ministrar aulas e, desde então, não parou mais.

“Trabalho desde meus 18 anos como professora, amo a profissão que desempenho, os anos que passaram me lapidaram e mostraram quão bela é esta profissão, pois somos participantes permanentes na vida do aluno”, destaca.

Participar da vida dos estudantes é o maior orgulho de Áurea Lígia. “O que me deixa mais feliz é quando me deparo com ex-alunos que falam da diferença que deixamos em suas vidas. Ser professor é lapidar sonhos, cada aluno é um ser diferente, tem suas particularidades que fazem dele alguém especial. Somos responsáveis e contribuintes do futuro de nossos alunos”, afirma.

Educação do campo

O Projeto “Escola do campo: semeando e plantando sustentabilidade” teve início na EEF Dr. Waldomiro Colautti no primeiro semestre deste ano letivo. A iniciativa faz parte do “Projeto de Vida”, componente curricular do Novo Ensino Médio que até o final de 2022 será aplicado em todas as unidades de ensino do Estado.

Professora Áurea Lígia Tambosi e alunos dos Anos Finais do Ensino Fundamental da EEF Dr. Waldomiro Colautti, reunidos em volta de uma mesa, selecionando sementes para a plantação da horta mandala no projeto Escola do Campo
Professora Áurea Lígia Tambosi com os alunos na seleção de sementes para plantação de horta mandala – Foto: Acervo pessoal/Divulgação/Educa SC

O projeto consiste na plantação de uma horta de orgânicos em formato de mandala no terreno da escola. De acordo com a professora Áurea Lígia Tambosi Mannrich, na primeira etapa do projeto, os alunos do oitavo e nono ano do Ensino Fundamental aprenderam conceitos teóricos e realizaram pesquisas que abordam a realidade da comunidade.

Em maio, com a orientação da educadora, os estudantes começaram a trabalhar na preparação do solo. A atividade contou com o apoio da Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina (Epagri), que forneceu dicas sobre o cultivo de plantas.

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“Na educação do campo temos a liberdade de ir além das paredes da escola e por em prática o que é transmitido durante as aulas teóricas, tornando tudo mais significativo e expressivo. Esse projeto deixará marcas em cada um que passar em nossa escola”, destaca Áurea Lígia.

Nas próximas semanas, os alunos deverão dar início a plantação das hortaliças e do horto medicinal. “Como a horta será plantada no formato de mandala, no centro plantaremos as flores, em sequência os chás e para completar, as hortaliças”, explica a professora.

Paixão que motiva

Apaixonada pela profissão, Áurea Lígia Tambosi Mannrich afirma que despertar a vontade do aluno de buscar novos rumos e sonhos é seu propósito como professora. “Se eu conseguir dar suporte para alavancar suas decisões, tenho certeza de que então consegui meu objetivo”, ressalta.

Alunos no Projeto Escola do Campo
Estudante Bianca Ignaczuk Beiger (meio), trabalhando na preparação do solo para plantação de horta mandala – Foto: Acervo pessoal/Divulgação/Educa SC

O entusiasmo da educadora motiva os estudantes. Bianca Ignaczuk Beiger, 14, aluna do nono ano do Ensino Fundamental, conta que não tinha interesse por agricultura, mas com o incentivo da professora desenvolveu o gosto por cuidar da terra.

“Meus pais são da agricultura, já eu não me interessava tanto, mas com incentivo da professora Áurea Lígia estou gostando cada vez mais. O plantio de verduras é uma experiência que irei levar para minha vida toda”, conta a adolescente.

Segundo Bianca, o empenho da professora é o que faz toda a diferença no processo de aprendizagem dos alunos e no sucesso do projeto escola do campo.

“Ela vem com um sorriso no rosto para trabalhar, demonstrando o interesse em fazer a escola crescer e melhorar a vida de todos. No projeto, ela está sempre nos acompanhando, até mesmo nas aulas que não são dela. Além de tudo, é uma ótima amiga e conselheira”, conta.

Mês do Professor

Para valorizar as boas práticas e professores que vão além da sua missão de ensinar, durante todo mês de outubro, o Educa SC divulga a série “Eu, professor, faço a diferença” com histórias de educadores que motivam, inspiram, superam e fazem a diferença na comunidade escolar.