A língua portuguesa é diversa e se adapta em cada cultura que está presente – somente em nosso país podemos ver mais de dez dialetos regionais. Com mais de 200 milhões de falantes, espalhados pela América do Sul, Europa, África e Ásia, muitos encontram dificuldades em meios às regras da gramática por conta da complexidade.

Os alunos do nono ano vespertino da EEB Vendelino Junges criaram jogos e se inspiraram em outros já existentes para reforçar os conteúdos de sala de aula – Foto: EEB Vendelino Junges/Divulgação/Educa SC

Não se sabe exatamente quantas palavras existem no nosso idioma, mas os registros em diferentes dicionários contam em média 140 a 300 mil verbetes. Então, é comum que surjam dúvidas na hora de escrever e falar, principalmente no uso de palavras homônimas – que são palavras com a mesma pronúncia (e às vezes a mesma escrita), mas com diferentes significados; e parônimas, palavras com pronúncia e escrita parecidas, mas com um significado distinto.

Para ajudar os alunos na melhora da comunicação e trazer uma leveza para as aulas de gramática, a professora de língua portuguesa Juliane Nardi, da Escola de Educação Básica (EEB) Vendelino Junges, de Pinhalzinho, no Oeste do Estado, decidiu criar algo novo e mais atrativo para os alunos.

Percebendo as dúvidas frequentes dos alunos no tema, Juliane e a professora de educação especial, Fernanda Baldo, organizaram um projeto com jogos lúdicos com o objetivo de incentivar a fala e escrita correta das palavras. “Como o assunto é gramática pura e muito regrado, pensei em tornar o conteúdo mais atrativo e divertido.”, comenta a professora de português.

O projeto é feito com os alunos do 9º ano vespertino e conta com 19 adolescentes entre 14 e 17 anos. Nele foram feitas pesquisas pelos alunos e professora para escolher as palavras mais utilizadas no dia a dia. “Por exemplo, saber diferenciar o verbo “soar” e “suar”, que é uma coisa que eu sempre corrigia e outras palavras parônimas e homônimas, na variedade da língua portuguesa.”, explica a professora Juliane.

A partir disso, os estudantes se unem em grupos e participam da criação dos jogos e das suas regras, muitos foram inspirados em jogos de tabuleiros já existentes – como o banco imobiliário, jogo da forca e perfil -, mas agora adaptados para auxiliar no aperfeiçoamento na aprendizagem do assunto. Depois de pronto, eles são compartilhados entre os diferentes grupos e podem dividir suas opiniões para aprimorar os trabalhos dos colegas.

Um dos alunos, Gabriel Henrique Hagemann, 14, criou um jogo de tabuleiro com sua colega Alessandra Azevedo, 17, em que os jogadores recebem as dicas para cada palavra e, quando acertam, avançam no jogo. “Esse jogo foi uma adaptação de um jogo de tabuleiro que já é conhecido e com essa adaptação é mais fácil da gente compreender as palavras e como a gente pode escrever elas, que é bem melhor do que só tentar decorar elas de uma vez”, comenta Gabriel.

E o projeto está funcionando! Por meio dos jogos a professora notou melhora no desenvolvimento dos adolescentes –que agora sempre se policiam quando vão utilizar as palavras e usam da forma correta, mostrando que a gramática da Língua Portuguesa não é um bicho de sete cabeças e que você consegue aprendê-la de uma maneira divertida e criativa.