A cada ano que passa, o mundo digital entra cada vez mais perto da intimidade das pessoas. Seja na conversa com um amigo de outro Estado ou na pressão psicológica que o padrão das redes sociais impõe, os cuidados acerca da internet devem ser constantes. É com este propósito que o Educathon Cidadão Digital surgiu.

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O Educathon Cidadão Digital possibilitou a discussão de temas que ainda são considerados tabus na sociedade – Foto: EEB Adelaide Konder/Divulgação/ Educa SC

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O Programa Cidadão Digital, parceria da SaferNetBrasil com o Facebook, chega como uma alternativa à desinformação dentro das redes. Com a proposta de ensinar alunos sobre a responsabilidade no uso da internet, a iniciativa busca ir além do acesso à tecnologia, ensinando os direitos e deveres dentro do ambiente virtual. Neste ano, depois de mais de 100 mil adolescentes impactados, o programa decidiu que uma competição entre equipes seria incrível.

Cidadão digital na escola

Foi desta forma que Raissa da Luz da Silva, Yuri Sychochi, Melissa de Almeida Peixeira, Jamilly Cristina da Costa e Maria Eduarda Silva Prestes se juntaram na Escola de Educação Básica (EEB) Adelaide Konder, em Navegantes, para transformar cyberbullying e autodepreciação em afeto.

A SAC, então, foi criada. Significando “Saca a Criatividade”, a equipe promoveu diversas ações envolvendo, principalmente, a autoestima de crianças e adolescentes. Performances artísticas, sala dos espelhos, parede das mágoas e a campanha #fotosemfiltro fizeram parte da impactante programação, compiladas em um jornal.

As ações do projeto fortaleceram a importância de canais de diálogo saudáveis entre estudantes e a comunidade escolar, promovendo o uso crítico, significativo, reflexivo e ético da Internet e das tecnologias digitais”, expressam Melissa e Rayssa.

Apresentado por Yuri e Jamilly, o jornal SAC teve muito sucesso na escola. Os alunos viraram repórteres e os participantes das atividades estrelas. “Uma performance que marcou o início da competição”, assim é retratado a participação de Maria Eduarda na equipe.

Ao som da música “Scars to your beautiful”, de Alessia Cara, a adolescente protagonizou, junto de seus colegas, uma apresentação de dança com muito significado.

Ela só quer ser bonita

Ela passa despercebida

Ela não conhece limites

Ela implora por atenção

Ela idolatra uma imagem

Ela reza para ser esculpida pelo escultor

Talvez nós a tenhamos cegado

Então ela tenta esconder sua dor

E afastar suas inseguranças

Porque modelos não choram.”

No meio da impactante melodia, eles tentaram traduzir em movimentos a quebra dos padrões das redes sociais, valorizando a beleza de cada indivíduo, sem retoques e filtros. A campanha #fotosemfiltro surgiu por conta destes mesmos motivos: incentivar os colegas a se sentirem confortáveis em sua própria pele.

A autoestima foi muito abordada e trabalhada durante a maratona do Educathon. Além das campanhas, criamos a sala dos espelhos e a parede das mágoas, em que os visitantes podiam escrever palavras e frases dolorosas que lhe haviam sido ditas”, contam as alunas.

Quebra de padrões

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Jornal SAC apresentado por Yuri e Jamilly- Foto: EEB Adelaide Konder/ Divulgação/ Educa SC

Entre cirurgias plásticas, retoque de fotos e filtros, crianças e adolescentes estão crescendo em um ambiente que é fisicamente impossível alcançar, despertando um sentimento de frustração sem tamanho.

Porém, apesar de todos os desafios que os jovens precisam enfrentar na entrada da vida adulta, a SAC viu a “Parede das Mágoas” como uma alternativa na jornada da auto aceitação e amor próprio. Além disso, trouxe um sentimento de término, pois as frases e palavras escritas foram queimadas com o auxílio da brigada de incêndio escolar.

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Em entrevista para o jornal SAC, a professora Patrícia expressou o impacto do projeto em sua vida, cicatrizando feridas que a acompanharam por muito tempo.

“Foi simplesmente fantástico. As ideias propostas pela equipe SAC, sobretudo em trazer enfrentamento psicológico em nosso dia a dia, fez uma diferença ímpar. Coloquei no painel ‘alejada e feia’, palavras que eu escutava muito na infância. Relatar ali os meus machucados e mandá-los embora foi confortante”, relatou a professora.

Todo esse conjunto de ações, fruto de muita empatia e carinho, concedeu o prêmio de 2° lugar na competição. Para as alunas, o troféu evidência a necessidade de utilizarmos a Internet com responsabilidade, ética e segurança.

A cidadania digital se aplica a todo indivíduo que utiliza a internet de maneira apropriada e eficaz. É importante valorizar o ensino, bem como os conceitos de direito e dever no ambiente digital acerca de temas como cyberbullying, segurança e uso adequado de redes sociais”, concluem.

Nos últimos anos, a realidade brasileira mudou, passamos a viver com o perigo das fakenews, desinformação e ataques cibernéticos. O Programa Cidadão Digital é um ponto de esperança para o futuro, colocando na mente dos alunos não só o senso crítico para tais situações, mas o hábito do questionamento.