As fake news, ou notícias falsas, sempre estiveram presentes na história da sociedade. Porém, nos dez últimos anos, com a difusão e democratização da internet e dos meios de comunicação, o problema se tornou muito maior.

Em janeiro de 2017, os jornais de maior circulação nacional usaram a expressão três vezes no total. Depois de um ano, o termo já era usado 110 vezes pelos mesmos veículos, mostrando a relevância que o termo tomou, sobretudo antes das eleições de 2018.

homem olhando para o computador
Com a popularização da internet, as fake news viraram uma realidade no mundo, evidenciando a necessidade da alfabetização digital – Foto: Cristiano Estrela/Secom

Além das redes sociais e portais duvidosos, um dos fatores que mais contribui para a difusão das informações falsas é a falta de checagem dos dados. O que é produzido e publicado, acaba sendo compartilhado por milhares de pessoas, colaborando para a perpetuação da não verdade.

Como trabalhar sobre fake news na escola?

A alfabetização midiática tem o objetivo de formar cidadãos críticos e capazes de interpretar e reconhecer a legitimidade das informações às quais são expostos todos os dias.

As escolas são um local de formação crítica, social e intelectual, que visa formar cidadãos conscientes e engajados para a sociedade. O acesso à internet está cada vez mais perto do dia a dia das crianças e adolescentes, não só em casa mas também dentro das salas de aula.

Tornou-se papel das instituições de ensino e de seus professores, não somente ensinar o uso da tecnologia, mas identificar informações e comportamentos falsos e manipuladores. Um dos princípios básicos dos componentes curriculares de História, Filosofia, Geografia e Filosofia é transformar o questionamento em hábito.

Ensinar os alunos a questionar a razão de existência das notícias e informações que circulam pela internet é o primeiro passo para a conscientização. A Base Nacional Comum Curricular (BNCC) destaca a importância de exercitar a criticidade no meio digital dentro das instituições de ensino:

“ A viralização de conteúdos/publicações fomenta fenômenos como o da pós-verdade, em que as opiniões importam mais do que os fatos em si. Nesse contexto, torna-se menos importante checar/verificar se algo aconteceu do que simplesmente acreditar que aconteceu (já que isso vai ao encontro da própria opinião ou perspectiva)”, destaca o documento.

Assim sendo, a prática de reconhecer os discursos de ódio, refletir sobre os limites entre liberdade de expressão e ataque a direitos, aprender a debater ideias, considerando posições e argumentos contrários, torna-se um hábito cotidiano para os estudantes.

Além do interesse no assunto por parte da população, legisladores e jornais de maior circulação brasileiros, outra face surgiu com muito mais força do que antes no cenário do país: as agências de checagem.

Antes de 2016, as agências raramente checavam fake news contidas no meio digital, principalmente disseminadas nos aplicativos de mensagem, porém, com notícias falsas sendo fabricadas e repercutidas em uma velocidade nunca vista antes, nasceu a necessidade de checar com mais atenção o que estava acontecendo dentro das plataformas digitais.

A importância de voltar às práticas de jornalismo de checagem mostra a crise contemporânea enfrentada pelo campo jornalístico e pelo mundo. As práticas iniciadas em 2016 nos Estados Unidos e, repercutidas no Brasil desde então, com forte ênfase no período pré-eleição 2018 e pandemia 2020, torna a atividade jornalística de mediar as informações absolutamente necessárias.

Fique informado: conheça 3 agências de checagem

As fake news viraram uma realidade do mundo atual, porém, com a alfabetização midiática e a conscientização populacional, será muito mais fácil combatê-la a curto e a longo prazo. A pergunta que deve se fazer é: para além conteúdo, por qual motivação ela foi criada?

Tendo essa resposta, ficará claro que notícias erradas são, muitas vezes, falha na apuração, em contraponto com fake news, que existem apenas com a motivação de serem caluniosas.

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  • “Privacidade Hackeada” (2019)
  • “O dilema das redes” (2020)
  • “Fake news – baseado em fatos reais” (2017)