“Para odiar as pessoas precisam aprender e, se podem aprender a odiar, podem ser ensinadas a amar”, é desta forma que o convite para a Semana da África da Escola de Educação Básica (EEB) André A. de Souza, em Imbituba, chegou ao fim. A provocação, que envolve respeito, empatia e carinho, foi a porta de entrada para sete dias cheios de emoção e resgate identitário para alunos e professores.

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A África foi representada de diversas formas na Semana Cultural da EEB – Foto: EEB André A. de Souza/ Divulgação/ Educa SC

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Indo além do aspecto histórico cultural, o Projeto “Semana África: seus encantos, mistérios e magias” buscou navegar entre todas as disciplinas do conhecimento. O intuito foi mostrar aos alunos a importância da população africana e afro-brasileira na construção da identidade do país, não apenas no registro folclórico, mas em cada traço e aspecto da nossa cultura.

Emilin Francisca Antunes Corrêa, professora na unidade e coordenadora do projeto, acredita que a iniciativa foi muito importante para o dia a dia da escola. Alunos, pais e professores se envolveram, pesquisaram e aprenderam com a história de diferentes povos e culturas, construindo formas mais abrangentes de ver o mundo.

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Além disso, estudantes e docentes negros da escola sentiram-se valorizados, respeitados, orgulhosos de suas raízes nem sempre vistas em livros didáticos.

“Podemos observar que, apesar do Brasil ser um país diverso racialmente, existem diversas lacunas nos conteúdos escolares. Faltam referências históricas, culturais, geográficas, linguísticas e científicas que deem embasamento favoráveis para a construção do conhecimento afro e elaboração de conceitos mais complexos e amplos”, acrescenta a professora.

A Semana Cultural é de todos

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Alunos e professores participaram de representações de personalidades e momentos históricos da África – Foto: EEB André A. de Souza/ Divulgação/Educa SC

A participação dos alunos foi de forma gradativa, como conta Emilin. Até agosto, as aulas eram em formato online e, por conta disso, os estudantes reocuparam o espaço aos poucos. Cada dia se sentindo mais pertencentes a um local que há quase dois anos não conheciam mais.

“Quando começaram as movimentações, pinturas, recortes, montagem de estátuas e elaboração de cartazes, o envolvimento foi aumentando. Quando vimos, a escola estava toda decorada, todas as turmas trabalhando, os professores adequando seus conteúdos. Foi muito lindo de ver. A escola estava viva!”, conta.

Uma das atividades que mais fez sucesso foi a confecção das Abayomis. O nome das bonecas negras feitas de retalhos significa “meu presente”, em yorubá, e é repleto de identidade e força ancestral.

A Abayomi se transformou na escola em um instrumento capaz de trazer elementos de matriz africana para a educação formal. Fortalecendo a autoestima e o pertencimento dos afro-brasileiros, por meio da afetividade.