Durante o período colonial, a América do Sul foi alvo de disputa entre Portugal e Espanha. Por isso, no século 18, os portugueses construíram várias fortificações na Ilha de Santa Catarina para proteger o local de invasores espanhóis. Os diversos fortes e fortalezas espalhados por pontos estratégicos da Ilha podem ser vistos até hoje em Florianópolis, confira sete construções históricas para estudar o período colonial na prática.

1. Fortaleza de Santa Cruz de Anhatomirim

Fortaleza de Santa Cruz de Anhatomirim – Foto: iStock/Divulgação/Educa SC

A Fortaleza de Santa Cruz de Anhatomirim foi construída na Ilha de Anhatomirim, na Baía Norte, pelo brigadeiro português José da Silva Paes, no século 18, para defender a Ilha de Santa Catarina de ataques de navios espanhóis.

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Um prato cheio de história e cultura, o local foi sede do primeiro governo da Capitania de Santa Catarina e palco de diversos acontecimentos históricos como a Invasão Espanhola da Ilha de Santa Catarina, atual Florianópolis, no início de 1777; e da Revolução Federalista, uma guerra civil que ocorreu entre os anos 1893 e 1895, na Região Sul do Brasil.

Tombada como Patrimônio Histórico e Artístico Nacional em 1938, a Fortaleza abrigou uma estação de rádio telegráfica da Marinha do Brasil durante a Segunda Guerra Mundial e passou por anos de abandono até ser restaurada na década de 1970, pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC).

2. Fortaleza de São José da Ponta Grossa

Fortaleza de São José da Ponta Grossa – Foto: iStock/Divulgação/SC

Localizada entre a Praias do Forte e de Jurerê Internacional, a Fortaleza de São José da Ponta Grossa foi uma das quatro fortificações projetas pelo brigadeiro português José da Silva Paes, primeiro governador da Capitania de Santa Catarina, a partir de 1739, para proteger a Ilha de Santa Catarina de invasões.

No ano de 1765, para complementar a defesa da região da Ponta Grossa, no Norte da Ilha de Santa Catarina, atual Florianópolis, foi construída durante o governo de Francisco de Souza e Menezes e seguindo o projeto do Sargento-Mór Francisco José da Rocha, a Bateria de São Caetano da Ponta Grossa, há cerca de 200 metros ao leste da Fortaleza de São José da Ponta Grossa.

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No local, hoje em ruínas, é possível encontrar uma base de guarita, trechos de muralhas e vestígios de uma pequena construção que teria servido de Casa de Guarda. Um passeio pelo lugar ajuda a compreender as disputas coloniais entre portugueses e espanhóis, pelo território atualmente conhecido como capital do estado de Santa Catarina.

3. Fortaleza de Santo Antônio de Ratones

A Fortaleza de Santo Antônio de Ratones, construída em 1744 na ilha de Raton Grande – nome dado pelo explorador espanhol Cabeza de Vaca por seu formato semelhante ao de um rato – é o terceiro vértice do sistema projetado pelo brigadeiro José da Silva Paes para defender a entrada norte da Ilha de Santa Catarina.

Durante a invasão espanhola no início de 1777, quatro tiros de canhão foram disparados pela fortaleza contra a frota inimiga. No entanto, os esforços foram em vão e a ilha foi tomada sem grande resistência. O local voltou a pertencer a Coroa Portuguesa somente em 1 de outubro de 1777, quando foi assinado o Tratado de Ildefonso entre Portugal e Espanha, que resolveu antigas disputas territoriais entre os dois reinos.

Em 1983, a Fortaleza de Ratones foi utilizada como esconderijo por rebeldes contrários ao governo de Floriano Peixoto durante a Revolução Federalista. Após o governo tomar as instalações e expulsar os revoltosos, a fortaleza foi entregue à Marinha do Brasil, que passou a utilizar o lugar como Lazareto – local onde se isolava pessoas com doenças contagiosas.

Após ser tomada como Patrimônio Histórico, a Fortaleza de Ratones passou décadas abandonada até 1980, quando Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) deu início aos primeiros trabalhos de arqueologia e mutirões de limpeza.

Entre 1990 e 1991, a Fortaleza de Ratones teve a maioria de seus edifícios reconstruídos no Projeto Fortalezas da Ilha de Santa Catarina – 250 anos na História Brasileira e passou a ser mantida e gerenciada pela UFSC.

4. Fortaleza de Nossa Senhora da Conceição de Araçatuba

Forte Nossa Senhora da Conceição de Araçatuba
Forte Nossa Senhora da Conceição de Araçatuba – Foto: iStock/Divulgação/Educa SC

A Fortaleza de Nossa Senhora da Conceição de Araçatuba foi a quarta e última fortificação idealizada pelo brigadeiro José da Silva Paes. Construída na ilhota de Araçatuba, na barra sul do canal da ilha, atual município de Palhoça, no Litoral Sul de Santa Catarina, foi a única fortaleza destinada a proteger a entrada da Baía Sul da Ilha de Santa Catarina, atual Florianópolis.

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Além da defesa, a Fortaleza de Araçatuba também serviu como prisão. Tombado como Patrimônio Histórico em 1938, o lugar pertence atualmente ao Exército Brasileiro e está em processo de restauração.

Apesar de não ser um local de passeio oficial, é possível avistar a bateria de canhões no Centro da Ilha de Araçatuba em passeios de barco saindo da Praia do Sonho, na Palhoça; ou da Caieira da Barra do Sul, em Florianópolis.

5. Forte de Santana do Estreito

Forte de Santana do Estreito – Foto: iStock/Divulgação/SC

O Forte de Santana do Estreito, projetado pelo Engenheiro Militar José Custódio de Sá e Faria, foi construído a partir de 1761 para defender a Vila de Nossa Senhora do Desterro, atual Florianópolis, de embarcações inimigas que adentrassem a Baía Norte.

Um acontecimento histórico ocorreu em 1893, durante a Revolução Federalista, quando os canhões do Forte dispararam tiros contra a esquadra rebelde. Em 1938, o Forte de Santana do Estreito foi tombado como Patrimônio Histórico e Artístico Nacional.

Totalmente restaurado em 1969, o local abriga desde 1975 o Museu de Armas da Polícia Militar de Santa Catarina – Major Lara Ribas. A entrada é gratuita e no pátio é possível avistar os canhões do Forte e a Ponte Hercílio Luz.

6. Forte de Santa Bárbara da Vila

O Forte de Santa Bárbara da Vila, projetado pelo Engenheiro Militar José Custódio de Sá e Faria, foi construído em 1774 sobre uma pequena formação rochosa para defender a Vila de Nossa Senhora do Desterro, atual Florianópolis, de embarcações inimigas que tentassem atracar na ilha pela Baía Sul.

Durante o século 19, o forte serviu de lazareto e enfermaria militar. Em 1875 abrigou a Capitania dos Portos e, em 1893, foi sede do Governo do Estado. Tombado como Patrimônio Histórico e Artístico Nacional em 1984 e afastado do mar por conta dos diversos aterros, o prédio abriga hoje o Centro Cultural da Marinha em Santa Catarina (CCMSC).

O antigo Forte de Santa Bárbara está localizado no Centro da cidade e fica próximo da Praça XV de Novembro, Catedral Metropolitana, Antiga Alfândega, Mercado Público, Museu Histórico de Santa Catarina, Museu do Saneamento, Igreja do Menino Deus e Casa do Pintor Victor Meirelles.

7. Forte Marechal Moura de Naufragados

Construído entre 1909 e 1913, na Praia de Naufragados, no extremo Sul da ilha, o Forte Marechal Moura de Naufragados é a construção mais recente do antigo sistema de defensivo da Ilha.

Sua função era complementar as defesas da Fortaleza de Araçatuba, protegendo a entrada da Barra Sul a partir de uma posição elevada. Atualmente restam no local apenas ruínas de muralhas e três canhões fabricados em 1893.

O Forte de Naufragados pode ser acessado por uma trilha de 45 minutos ou por embarcação saindo da Praia da Caieira da Barra do Sul. No local é possível observar também o Farol de Naufragados e a Fortaleza de Araçatuba.