Além das belas praias e belezas naturais, Florianópolis também é conhecida pela cultura açoriana deixada pelos imigrantes portugueses que vieram habitar a ilha no século 18. A herança cultural faz parte da história da cidade e está presente nas tradições e na arquitetura da capital de Santa Catarina. Conhecer e aprender sobre a influência portuguesa na capital é uma oportunidade de estudar história na prática.

Mercado Público, no centro histórico de Florianópolis
Mercado público é uma construção típica deixada pelos açorianos no Centro Histórico de Florianópolis – Foto: iStock/Divulgação

Para mostrar a cultura açoriana em Florianópolis, conheça quatro lugares para você conhecer quando estiver na capital catarinense.

1. Centro histórico

Catedral Metropolitana de Florianópolis à noite
Catedral Metropolitana no Centro Histórico de Florianópolis – Foto: iStock/Divulgação

É a sede administrativa e econômica da capital e onde se encontra a maior parte da herança cultural deixada pelos imigrantes portugueses vindos do arquipélago de Açores, que chegaram em Florianópolis em meados do século 18.

Um passeio pelo Centro Histórico de Florianópolis é uma verdadeira aula de história ao ar livre. No local é possível observar construções em estilo açoriano, como o Mercado Público, a Praça XV, a Catedral Metropolitana, o Palácio Cruz e Souza e o Largo da Alfandega. Todos esses pontos ficam bem próximos e dá para observar os detalhes da colonização em um único local.

2. Santo Antônio de Lisboa

Igreja de Nossa Senhora das Necessidades, fundada em 1754 na Freguesia de Nossa Senhora das Necessidades, atual Santo Antônio de Lisboa
Igreja de Nossa Senhora das Necessidades, construção estilo barroco de origem portuguesa – Foto: iStock/Divulgação

O bairro Santo Antônio de Lisboa, localizado no noroeste de Florianópolis, foi fundado em 1750 pelos imigrantes açorianos que chegaram à região em 1748. Inicialmente chamado de Freguesia de Nossa Senhora das Necessidades, o local foi a primeira colônia a se desenvolver na antiga Vila de Desterro, atual Florianópolis, e só passou a se chamar assim a partir de 1938.

Na localidade, além das várias casinhas coloridas no estilo açoriano, é possível visualizar a Igreja Nossa Senhora das Necessidades, construção barroca erguida em 1750 e concluída em 1754. O barroco é um estilo artístico que surgiu na Itália e dominou a Europa no século 17. Em Florianópolis, a arte barroca veio junto com os imigrantes portugueses que chegaram à ilha entre 1748 e 1756.

Na orla da praia, uma variedade de bares e restaurantes oferecem pratos típicos da região feitos com moluscos, crustáceos e outros frutos do mar. Além das construções históricas e da gastronomia, Santo Antônio de Lisboa realiza desde 1754 a Festa do Divino Espírito Santo e Nossa Senhora das Necessidades, uma das mais antigas tradições de influência açoriana.

3. Ribeirão da Ilha

Casinhas coloridas típicas da cultura açoriana no Ribeirão da Ilha, em Florianópolis
Construção típica da arquitetura açoriana – Foto: iStock/Divulgação

Entre 1748 e 1756, com a chegada de mais de seis mil açorianos vindos da colônia portuguesa do Arquipélago de Açores, alguns casais liderados por Manoel de Valgas Rodrigues estabeleceram-se na região sul e fundaram a Freguesia de Nossa Senhora da Lapa do Ribeirão, atual Ribeirão da Ilha.

O bairro foi a segunda colônia fundada na antiga Vila de Desterro e até hoje possui uma relação muito próxima com o mar. Traços marcantes da cultura açoriana estão presentes nas construções de arquitetura típica e restaurantes que servem pratos tradicionais feitos com frutos do mar.

Além disso, no local podem ser vistos engenhos de farinha, tradição deixada pelos açorianos que produziam alimentos e enviavam às tropas sediadas no Forte de Nossa Senhora da Conceição de Araçatuba, erguido em 1742 para defender a entrada da Baía Sul da Ilha de Santa Catarina.

4. Avenida das Rendeiras

mulher idosa fazendo renda de bilro, atividade tradicional trazida pelos imigrantes açorianos
Renda de Bilro é patrimônio cultural em Florianópolis – Foto: Ricardo Wolffenbüttel/Secom

Como o próprio nome já diz, a Avenida das Rendeiras, principal avenida da Lagoa da Conceição, faz uma homenagem às rendeiras, mulheres que faziam a renda de bilro.

Tradição trazida pelos povos açorianos, a renda de bilro era uma atividade praticada pelas mulheres enquanto esperavam os maridos voltarem da pesca. A técnica era tradicionalmente passada de mãe para filha e ajudava a complementar a renda da família. Atualmente, o bilro é patrimônio cultural de Florianópolis.