Que a alimentação saudável possui impactos importantes no desenvolvimento de crianças e adolescentes não é novidade, mas como inseri-la no dia a dia dos jovens? A escola é uma ponte essencial entre os alunos e os hábitos alimentares adequados, porém, para que o consumo de alimentos saudáveis integre a rotina dos estudantes, a família também precisa se envolver neste processo educacional.

alunos praticando alimentação saudável
Os alunos foram peças importantes para a implementação da alimentação saudável na EEB Abel Esteves de Aguiar – Foto: EEB Abel Esteves de Aguiar/ Divulgação/Educa SC

Pensando na integração de toda a comunidade escolar para o desenvolvimento de hábitos saudáveis dentro da unidade, a Escola de Educação Básica (EEB) Abel Esteves de Aguiar, localizada no município de Praia Grande, iniciou em 2015 um projeto que completa seis anos de saúde, sabor e qualidade de vida: uma horta escolar.

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Atualmente, a horta escolar faz parte do projeto “Alimentação saudável: alimente-se desta ideia”, desenvolvido com turmas de primeiro ao quinto dos Anos Iniciais do Ensino Fundamental, com aulas expositivas, práticas e teóricas que integram todos os alunos e professores.

Para Marcelo de Souza Ramos, gestor da escola e corresponsável pela iniciativa, a horta escolar faz muito mais do que promover práticas de alimentação saudável.

“O aluno aprende a trabalhar em equipe, em cooperação junto com o outro. Desde o plantio das hortaliças até a manutenção da horta, cada um tem a sua função. Ela (horta), para além de seu sentido de existência, forma cidadãos cooperativos e responsáveis”, conta Marcelo.

HORTA
Há seis anos, a horta escolar faz parte da alimentação saudável dos alunos na escola – Foto: EEB Abel Esteves de Aguiar/Divulgação/ Educa SC

A EEB Abel Esteves de Aguiar é uma escola do campo e a iniciativa aproximou o aluno de sua realidade, trazendo à prática as teorias que aprendem dentro da sala de aula. Além disso, segundo Marcelo, a horta escolar também valoriza o trabalho das famílias dos estudantes, já que uma das principais formas de subsistência da região é a agricultura.

“Nesse sentido, a horta traz um resgate cultural para a nossa comunidade, porque a importância de se alimentar de forma saudável, de produzir algo com suas próprias mãos, é um dos traços identitários do contexto familiar de nossos alunos, é algo que seus pais fazem ou faziam. Então, há uma integração forte com a comunidade escolar.”, complementa o gestor da escola.

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Por ser uma atividade ao ar livre, longe das telas de celulares e computadores, além da pandemia da Covid-19, a professora Josiane de Matos Scariot percebeu que as atividades na horta escolar favoreceu muito o interesse dos alunos em conhecer e participar do projeto.

“Para a escola, configura uma boa imagem em relação à comunidade e região, pois incentiva a cooperação e a troca de conhecimentos entre alunos, professores e famílias. Eu, como professora e engenheira agrônoma, vi muitos pontos positivos. É uma grande experiência para todos, pois temos contato com a terra e consumimos os produtos na merenda” diz Josiane.

A horta escolar trouxe uma mudança de comportamento dos alunos em relação a alimentação saudável. Segundo Marcelo, hoje, estudantes que antes tinham resistência em comer verduras e legumes, sentem gosto em provar as hortaliças que plantam e colhem.

Era algo que vínhamos pensando desde 2014, o resgate das hortas nas escolas. Por sermos uma escola do campo, nós sentimos essa necessidade. Mas não apenas uma horta sozinha, uma que pudesse desenvolver um trabalho pedagógico, trazendo a participação dos pais, a integração. Hoje, ela está inserida em nosso contexto, o que me traz muita alegria.”, conclui Marcelo.