O lixo é considerado um dos maiores problemas ambientais da nossa sociedade. No Brasil, apesar de contar com a Política Nacional de Resíduos Sólidos, apenas 2,1% do total de resíduos coletados é reciclado. No ranking das capitais, Florianópolis é a que mais recicla no país e não é à toa que é em uma cidade catarinense que está a primeira escola lixo zero do Brasil: conheça o trabalho da Escola de Educação Básica (EEB) Aldo Câmara da Silva, de São José.

lixo zero
Práticas de lixo zero auxiliam na integração de alunos e professores – Foto: iStock/Divulgação/Educa SC

Tudo começou em uma aula de Língua Portuguesa, quando a professora Fabiana Bina sugeriu aos alunos a produção de artigos de opinião com o tema “Os malefícios do uso de sacolas plásticas”. Para surpresa da docente, os estudantes mergulharam no tema, querendo saber mais sobre os impactos que o consumo desenfreado pode causar no mundo.

Leia mais: Como a alimentação saudável pode integrar alunos, professores e famílias?

“Depois do interesse tão grande deles, resolvi propor um seminário interativo em que eles propusessem mudanças dentro da escola para diminuir os impactos ambientais. Com o sucesso da iniciativa, prometi que levaria o presidente do Instituto Lixo Zero para conversar com eles”, conta Fabiana.

E já que missão dada é missão cumprida, em maio de 2019, depois de muitas conversas, o presidente do Instituto Lizo Zero foi até a unidade para mudar o futuro da escola. No evento, que reuniu os alunos do nono ano do Ensino Fundamental, o convidado lançou um desafio: reduzir em 90% todos os resíduos que eram enviados para o aterro sanitário e destiná-los corretamente.

Redução na prática

Com a missão de reduzir os resíduos da escola, o novo desafio seria convencer o resto da comunidade escolar a abraçar a ideia. Foram alunos conscientizando alunos, para então realizar a tarefa maior de falar com os professores. Para Maria Clara, que estava no sétimo ano do Ensino Fundamental em 2019, foi muito desafiador embarcar na transformação completa da escola e, consequentemente, levar essas mudanças para casa.

Segundo Fabiana, toda a metodologia criada na unidade foi feita através dos alunos, o que configurou ao projeto um local de protagonismo estudantil. As lixeiras foram retiradas e uma composteira e um residuário surgiram nas instalações da escola.

Etapas da mudança

Na primeira semana, todo o lixo que a comunidade escolar produziu foi guardado. Em uma reunião do corpo docente com os alunos, o espanto veio na contagem: foram pesados impactantes 139 quilos de materiais descartados que eram enviados para os aterros sanitários todas as semanas.

“Quando colocamos o lixo dentro dos sacos plásticos e levam em caminhões, aquilo não afeta mais a nossa realidade, deixa de existir e perdemos a noção do que produzimos. Com o exercício de pesarmos na frente de todos, materializamos na frente de cada um o impacto ao meio ambiente que produzimos”, comenta a professora.

Leia mais: 10 podcasts que todo vestibulando precisa acompanhar

A escola tem o objetivo de transformar cada resíduo em um novo recurso de valor, que pode ser reintegrado à economia e destiná-los à uma cooperativa de catadores, que tem este trabalho como forma de sobrevivência. São reaproveitados plásticos, papéis, papelões e metais.

Todo o plano de ensino da escola gira em torno do projeto, que mostra como a educação ambiental multidisciplinar é possível e necessária. As ações pedagógicas são planejadas por meio das palavras que norteiam o calendário global do Instituto Lixo Zero.

Muitos acreditam que é necessário ter uma disciplina isolada voltada à educação ambiental, mas o nosso projeto prova exatamente o contrário. Ele é integrador, as disciplinas podem trabalhar tanto separadamente quanto em conjunto as temáticas. Veja bem, ele surgiu em uma aula de português, porque ele é multidisciplinar”, reitera Fabiana.

Além dos impactos dentro do ambiente escolar, a unidade recebeu reconhecimento nacional e internacional. Em 2019, ganhou o prêmio Lixo Zero, que avalia as boas práticas do lixo zero no país, na categoria “Organização escolar”. Já em outubro do mesmo ano, Fabiana e mais dois alunos cruzaram o oceano para apresentar seu projeto em Portugal.

Acompanhe a programação

Toda essa entrevista foi ao ar no programa Minha Escola na TV, transmitido todas as terças-feiras, a partir das 11h50 da manhã, nos canais do Educa SC. Sintonize de acordo com a sua região:

– Joinville: 8.2 e 8.3

– Blumenau: 10.2 e 10.3

– Itajaí: 7.2 e 7.3

– Florianópolis: 4.2 e 4.3

– Criciúma: 25.2 e 25.3

– Chapecó: 10.2 e 10.3

– Joaçaba: 26.2 e 26.3

– Xanxerê: 3.2 e 3.3

Em televisão fechada é necessário fazer o contato com a operadora para liberação do acesso.