A pandemia do novo coronavírus transformou a forma de viver, estar, produzir e se relacionar no mundo. Diante de novos padrões, protocolos e condutas impostas a esta incontrolável realidade, inúmeros educadores levaram o papel social da profissão a outro nível, ainda mais palpável, transformando-a em um propósito de esperança para os alunos.

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Professora desperta o senso de comunidade dos alunos em atividade de educação por meio da arte – Foto: Arquivo da Escola/Divulgação/Educa SC

Adriana Telöken, professora de Artes na Escola de Educação Básica (EEB) Santa Helena e na EEB Pe Balduíno Rambo, conseguiu trazer uma abordagem diferente da pandemia para os alunos do Ensino Médio, promovendo um ponto de escape à rotina de incertezas, perdas e instabilidade emocional por conta desse período.

O trabalho, que desenvolveu uma releitura do mural Coexistência, do artista brasileiro Eduardo Kobra em homenagem às vítimas da Covid-19, retrata cinco crianças, de diferentes etnias e religiões, juntas e usando máscaras, coexistindo em prol de um bem comum.

“Vamos vencer isto juntos, mas separados. Ou separados – por isso juntos. Nestes tempos de necessário isolamento social, é preciso ter fé. Independentemente da nossa localização geográfica, de nossa etnia e de nossa religião, estamos unidos em uma mesma oração”, explica Eduardo sobre a inspiração de seu mural.

Humanização por meio da arte

Para dar início ao diálogo sobre o assunto, Adriana escolheu fragmentar a obra de arte para dar liberdade ao aluno na construção da sua própria interpretação sobre esse período de pandemia. No primeiro momento, a aula se transformou em um espaço de reflexões, em que os estudantes apresentaram, de forma escrita, seus pensamentos sobre o que a imagem transmitia.

O objetivo era instigar outras questões, por exemplo, a solidariedade entre os povos, a espiritualidade e a diversidade. O colorido que o painel trás manifesta algo além da dor e do sofrimento da pandemia”, conta a professora.

Telöken acredita que a arte, em suas múltiplas formas de expressão, tem um papel fundamental nos processos individuais de produção, criatividade e como objetivo de comunicação com o mundo interno e externo de cada um, principalmente em momentos de instabilidade como a pandemia.

Larissa Fabbi, estudante da 3° série do Ensino Médio da EEB Santa Helena, enxerga o esforço da professora em transformar o ambiente escolar em um espaço que instiga o questionamento e a percepção de cada indivíduo como parte de um coletivo.

“A professora sempre desenvolve trabalhos ótimos que nos fazem pensar além do senso comum e este foi apenas mais um deles. Pude demonstrar minha solidariedade pelas vítimas e tristeza por esse momento vivenciado. À medida que expressei a minha perspectiva de um mundo melhor, em concordância com os acontecimentos da pandemia que demonstraram que ainda existe amor, empatia, e respeito”, declara a aluna.

Formação de bons cidadãos é dever da escola

Empatia, solidariedade e senso de comunidade são valores que não mudam para a professora Adriana. Fortalecer esses temas dentro das escolas, para ela, é um caminho para que os alunos se tornem cidadãos que interagem com o planeta de forma positiva.

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O mural do artista Eduardo Kobra rendeu diversas discussões pertinentes sobre as vítimas da pandemia e esperança por dias melhores – Foto: Arquivo da Escola/Divulgação/Educa SC

Vieram considerações muito pertinentes no diálogo estabelecido em aula presencial, quando visualizaram a obra. Um estudante que me marcou falou sobre os olhares dos garotos pintados, de resiliência e compaixão, além da união das cinco maiores religiões do mundo, que frente à pandemia e todo sofrimento impôs à obra e aos alunos um sentimento de amor e igualdade”, expressa.

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A releitura do mural de Kobra possibilitou que Larissa e os colegas da turma sentissem esperança no futuro em meio ao caos, contribuindo para a formação como cidadãos melhores para si e, consequentemente, para as pessoas que estão em seu entorno.

“Foi um trabalho muito inclusivo que demonstrou que, embora sejamos todos distintos esteticamente, somos iguais no sentir, independente de fatores como classe social, religião ou cultura”, conclui a estudante.